A campanha en primeur da safra 2025 de Bordeaux está no centro das atenções do mercado mundial. Depois de um ano de condições extremas — junho de 2025 foi o segundo mês de junho mais quente registrado na França desde 1900, com semanas acima de 35°C — o que chegou às taças surpreendeu até os céticos.
A Decanter descreve a colheita como "precoce, concentrada e cheia de promessas": a colheita de Merlot em Saint-Émilion começou já em 26 de agosto, antecipando o calendário em semanas. A madrugada foi a grande aliada — as noites frescas durante o verão criaram uma amplitude térmica que preservou acidez e frescor aromático mesmo com o calor diurno extremo. O resultado é um conjunto de vinhos com pureza de fruta, acidez viva e estrutura elegante, qualidades que safras quentes raramente conseguem combinar.
A produção é baixa. O Château Margaux vai engarrafar o menor volume de grand vin desde 1856. Oferta restrita, demanda de colecionadores — é o cenário que os grandes Bordeaux adoram.
Mas há outro Bordeaux 2025 que importa saber
No meio de toda a narrativa de Premier Crus e en primeur, existe um nome que conecta o topo absoluto da região ao dia a dia de um bom restaurante ou adega em Santa Catarina: Pierre Lurton.
Lurton é o homem que por mais de 30 anos dirigiu o Château Cheval Blanc — um dos dois únicos Premier Grand Cru Classé A de Saint-Émilion — e o Château d'Yquem, o único Premier Cru Supérieur de Sauternes, referência absoluta dos vinhos doces do mundo. Hoje preside o conselho de ambas as casas. E é também o produtor do Château Marjosse, sua propriedade pessoal em Entre-Deux-Mers, onde mora há décadas.
Marjosse não compete com Cheval Blanc em preço nem em status. Compete em caráter: é um Bordeaux feito com a mesma leitura de terroir e a mesma exigência agronômica de quem passou 30 anos moldando dois dos maiores vinhos do mundo. Para o consumidor que quer entrar no universo Bordeaux sem pagar o ingresso de um grand cru, é uma das portas mais bem construídas que existem.
O momento de falar de Bordeaux é agora
Para o on trade, o buzz em torno da safra 2025 é uma abertura de conversa. Clientes que leram sobre en primeur, que ouviram que 2025 pode ser safra histórica, chegam com curiosidade. Ter um Bordeaux bem escolhido na carta — e uma história por trás dele — transforma essa curiosidade em pedido.
Para o off trade, é o momento de montar uma seleção de Bordeaux com contexto. Não um corredor com dezenas de rótulos anônimos, mas duas ou três escolhas com narrativa clara: quem é o produtor, o que torna aquele vinho diferente, por que ele merece espaço na adega do cliente. Quem vende com história retém o cliente; quem só empilha prateleira perde para o preço.
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