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Produtores · 20 jun. 2026

1.200 famílias, videiras com 60 anos e um Primitivo que o mundo parou para ouvir — a história de San Marzano na Puglia

Em 1962, dezenove agricultores fundaram uma cooperativa em Manduria. Seis décadas depois, San Marzano tem 1.200 membros, exporta para cerca de 80 países e faz o Primitivo di Manduria mais premiado da Itália — com vinhas que ninguém mais tem.

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San Marzano — Sessantanni Primitivo di Manduria, vinho do topo da cooperativa de Puglia com videiras de mais de 60 anos

Em 1962, dezenove famílias de agricultores da Puglia se reuniram para fazer uma cooperativa. Não tinham muito além do que sempre tiveram: solo calcário, sol mediterrâneo e videiras antigas plantadas em alberello — o formato de arbusto, sem espaldeira, sem irrigação, que obriga a planta a trabalhar fundo para produzir cada uva. Eram vinhas que ninguém ainda chamava de "patrimônio". Eram apenas vinhedo de família, como sempre foram.

Seis décadas depois, a Cantine San Marzano tem 1.200 cooperados, exporta para cerca de 80 países e é uma das referências mundiais em Primitivo di Manduria — a denominação mais respeitada da Puglia para vinho tinto. O que começou com dezenove famílias virou uma das histórias mais consistentes do sul da Itália.

Manduria e o terroir que poucas regiões têm

A Puglia tem condições que o norte da Itália não consegue replicar: calor mediterrâneo que amadurece a uva até o limite, solo calcário que impõe tensão e mineralidade, e uma tradição de viticultura de baixo rendimento que resulta em uvas concentradas, densas, com identidade própria. A sub-região de Manduria, no centro da Puglia, é onde esse conjunto chega ao máximo.

O Primitivo di Manduria é a denominação de origem que reconhece isso. A uva Primitivo — geneticamente idêntica ao Zinfandel californiano, como a ciência confirmou nos anos 1990 — chega à sua expressão mais completa nessa faixa de terroir. Quando bem trabalhada, produz tintos de fruta madura intensa, especiaria, tanino presente mas polido, e uma profundidade que surpreende quem espera apenas sol e potência de um vinho do sul.

Sessantanni: o que 60 anos de videira mudam

O símbolo da filosofia de San Marzano tem nome: Sessantanni — "sessenta anos" em italiano. São os vinhedos de alberello com mais de 60 anos de idade, cultivados no Valle del Sessantanni — um talhão de 40 hectares que produz o tinto mais ambicioso da cooperativa: o Primitivo di Manduria DOP Sessantanni.

Videiras dessa idade não podem ser apressadas. Produzem menos uvas por planta. Concentram mais. As raízes chegam a camadas de solo que a viticultura jovem nunca alcança. O resultado é um vinho de outra densidade — não pelo açúcar ou pelo álcool, mas pela profundidade de sabor e pela capacidade de evolução em garrafa.

O Sessantanni 2020 recebeu 3 Taças do Gambero Rosso 2026 — a distinção máxima do principal guia de vinhos italianos — e 99 pontos de Luca Maroni. As duas avaliações de maior peso na Itália, concedidas ao mesmo vinho na mesma safra.

O portfólio: entrada clara, progressão real

San Marzano constrói um portfólio com três posições distintas.

O Il Pumo é o acesso. Primitivo e Negroamaro em versões acessíveis que funcionam no dia a dia de um salão, no copo-a-copo de uma adega, na entrada de qualquer carta italiana. Descomplicado, honesto, com identidade de região.

O Talò sobe um degrau. Primitivo di Manduria com mais concentração, mais estrutura, mais capacidade de acompanhar carnes, queijos curados, massas robustas. O Talò Primitivo 2023 recebeu medalha de prata no Decanter World Wine Awards 2025.

O Sessantanni é o topo: vinho de produtor, de guarda, de conversa longa. O tipo de garrafa que um sommelier abre com intenção e que um cliente de adega compra para uma ocasião especial.

Por que San Marzano agora

O sul da Itália — Puglia, Sicília, Campânia — virou a nova fronteira de qualidade do país. Por décadas, Toscana e Piemonte concentraram a atenção e os preços mais altos. O sul ficou em segundo plano. Isso está mudando.

San Marzano chegou a esse momento com décadas de vantagem: já tinha as videiras antigas, já tinha a denominação, já tinha o processo. O mercado é que demorou para prestar atenção.

Para o on-trade em Santa Catarina, San Marzano resolve uma lacuna específica: o cliente que quer explorar Itália além dos endereços mais óbvios. Quando alguém já conhece Barolo e Brunello, o próximo passo pode ser Manduria. E quando o sommelier consegue explicar que aquele Primitivo vem de vinhas com mais de 60 anos, em uma cooperativa de mais de 1.200 famílias, premiado com a nota máxima do Gambero Rosso — a conversa começa sozinha.

Para o off-trade, é o tipo de produtor que faz o cliente voltar: portfólio escalonável, história real, preço que funciona em mais de uma faixa.

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