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Produtores · 18 jun. 2026

O novo vulcão de Angelo Gaja: por que IDDA coloca o Etna no mapa dos grandes vinhos italianos

Depois de Barbaresco, Montalcino e Bolgheri, Angelo Gaja escolheu o Etna para seu novo capítulo. A aposta revela muito sobre o futuro do vinho: altitude, frescor e elegância em tempos de aquecimento global.

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Garrafa de IDDA em composição inspirada no vulcão Etna e nos solos escuros da Sicília

Angelo Gaja não precisava provar mais nada.

O nome dele já está gravado na história do vinho italiano. Barbaresco, Barolo, Montalcino, Bolgheri: poucas famílias ajudaram tanto a reposicionar a Itália no mapa dos grandes vinhos do mundo. Quando Gaja se move, o mercado presta atenção. Não por marketing, mas porque ele costuma chegar antes.

Foi assim no Piemonte. Foi assim na Toscana. Agora, é assim no Etna.

O projeto se chama IDDA — "ela", em dialeto siciliano, forma como muitos moradores se referem ao vulcão. Não é detalhe poético. É uma declaração de respeito. No Etna, a montanha não é paisagem. É personagem. O solo vem da lava, a altitude muda tudo, o clima exige leitura fina e cada encosta parece falar uma língua própria.

Para esse novo capítulo, Gaja não chegou sozinho. Em 2017, a família se uniu a Alberto Aiello Graci, produtor siciliano reconhecido pelo trabalho com as uvas nativas do Etna, para construir um projeto que não tenta importar o estilo do Piemonte para a Sicília. A ideia é outra: entender o vulcão por dentro.

Por que o Etna entrou no radar de Gaja

Segundo a Decanter, a escolha do Etna tem ligação direta com uma preocupação da família Gaja: o aquecimento global. Em um mundo onde muitos vinhos ganham concentração, álcool e peso, áreas de altitude passam a ser mais do que uma curiosidade. Elas viram estratégia de futuro.

O Etna oferece exatamente isso: altitude, noites frescas, solos vulcânicos, vinhas antigas e uma tensão natural que permite fazer vinhos profundos sem perder elegância.

A família Gaja e Graci escolheram vinhedos no flanco sudoeste do vulcão, uma área menos óbvia do que o lado norte, onde muitos dos endereços mais disputados já estavam ocupados. A aposta é reveladora: procurar frescor, altitude e identidade onde o mapa ainda não estava completamente definido.

Essa palavra — elegância — é central para entender IDDA.

Carricante no centro da história

A maior parte da produção do projeto vem da Carricante, uva branca histórica do Etna. A Decanter aponta que ela responde por cerca de 80% das aproximadamente 50 mil garrafas produzidas anualmente pela IDDA. É uma escolha importante. Em um mercado que por muito tempo tratou vinho branco como categoria secundária, Gaja coloca um branco de altitude no centro da conversa.

A Carricante entrega acidez firme, textura mineral e grande capacidade de transmitir solo. O IDDA Bianco não é um branco simples de verão. É vinho de montanha, de tensão, de profundidade. Um branco que conversa com frutos do mar, carnes brancas, queijos, pratos de acidez e menus autorais. Para restaurantes, é o tipo de rótulo que amplia a carta sem cair no óbvio.

O tinto do vulcão

O IDDA Rosso segue outro caminho, baseado na Nerello Mascalese, uva tinta que muitos comparam ao Nebbiolo pela combinação de perfume, tanino fino, acidez e transparência de terroir. A comparação ajuda, mas não deve limitar o vinho. Nerello não é "Nebbiolo siciliano". É Etna. Tem fruta vermelha, ervas, mineralidade vulcânica e uma delicadeza que surpreende quem espera da Sicília apenas sol e potência.

É justamente aí que o projeto se torna interessante.

Gaja poderia ter feito um vinho de assinatura, marcado pelo sobrenome. Preferiu entrar em parceria com quem conhecia a região. Poderia ter reforçado a imagem clássica de grandes tintos italianos. Preferiu colocar também um branco no centro da história. Poderia ter escolhido apenas os endereços mais consagrados. Preferiu explorar uma área menos evidente do vulcão.

Isso diz muito sobre o momento do vinho.

As regiões tradicionais continuam importantes, mas o consumidor premium busca novas narrativas. Quer origem, altitude, identidade, tensão, frescor. Quer vinho que tenha história para contar sem depender apenas de reputação antiga. IDDA une as duas coisas: um dos nomes mais respeitados da Itália e uma das regiões mais vibrantes do vinho contemporâneo.

O que isso muda para a carta

Para Santa Catarina, a leitura comercial é clara.

Em restaurantes, IDDA pode ser apresentado como uma ponte entre tradição italiana e nova geografia do vinho. Para clientes que já conhecem Gaja, é um novo capítulo. Para quem acompanha Etna, é um projeto com chancela de peso. Para quem busca brancos premium, é uma resposta elegante a menus mais leves, cozinha autoral e serviço por taça mais sofisticado.

Em adegas e empórios, o argumento é igualmente forte: não é apenas "mais um vinho italiano". É Angelo Gaja olhando para o vulcão mais importante do vinho contemporâneo e dizendo: o futuro também está aqui.

O Etna já vinha crescendo. Com IDDA, ele ganha outro tipo de atenção.

Não porque precise da aprovação de Gaja para existir, mas porque Gaja tem um histórico raro de enxergar antes dos outros onde o vinho vai ficar mais interessante.

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